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Como ensinar subtração: um passo a passo para pais

Ensine subtração em casa: tirar, comparar e completar, contar para trás e para a frente, a ligação com a adição e o “empresta um”, com objetos e jogos.

  • 5–9 anos
  • Pré-escola–3º ano
  • 10 min de leitura

Resposta rápida

Ensine a subtração com três ideias: tirar (7 bananas, comi 2, sobram 5), comparar (9 é 3 a mais que 6) e completar (de 6 para 9 faltam 3). Comece com objetos. Conte para trás para tirar pouco (9 − 2) e para a frente quando os números estão perto (12 − 9: 10, 11, 12, então 3). Ligue cada fato à adição: 8 + 5 = 13, então 13 − 5 = 8. Deixe o “empresta um” por último.

Pontos principais

  • A subtração tem vários significados: tirar, comparar e completar. A BNCC pede todos até o 3º ano.
  • Conte para trás para tirar pouco (9 − 2); conte para a frente quando os números estão perto (12 − 9).
  • Pense na adição: todo fato de subtração tem um par na adição. 7 + 3 = 10, então 10 − 3 = 7.
  • Ensine o “empresta um” (desagrupamento) com dezenas de verdade, como as barras do material dourado, antes da conta armada.
  • O erro clássico é tirar o menor do maior em cada coluna: 52 − 27 vira 35 em vez de 25. Estimar antes pega esse erro.

Com que idade a criança aprende a subtrair?

A subtração cresce junto com a adição. Na BNCC, ela aparece nos mesmos anos e ganha significados novos a cada etapa:

Subtração na BNCC, do 1º ao 4º ano
Ano (idade)O que a BNCC pedeEm casa
1º ano (6–7)Problemas de separar e retirar com números de até dois algarismos, com imagens ou material manipulável e registros pessoaisTirar com objetos, contar para trás
2º ano (7–8)Fatos básicos da subtração no cálculo mental ou escrito; problemas com números de até três ordens; dizer quantos a mais e quantos a menos ao comparar quantidadesLigar à adição, comparar torres de blocos
3º ano (8–9)Significados de comparar e completar quantidades; cálculo mental e escrito, inclusive os procedimentos convencionaisContar para a frente, “empresta um” com material dourado
4º ano (9–10)Subtração com números maiores, com cálculo mental, algoritmos e estimativas; relações entre adição e subtração para calcularConferir somando, estimar antes

Se um passo ficar difícil, volte um passo e use objetos de novo. Para o quadro geral, veja habilidades de matemática por idade.

Tirar, comparar ou completar? Ensine os três

A maioria das crianças conhece a subtração como tirar: “Você tinha 7 uvas e comeu 2. Quantas sobraram?”. É um ótimo começo. Mas a subtração também responde a outras perguntas: “Quantos a mais?”, “Quantos a menos?” e “Quanto falta?”. Quem só conhece o tirar se confunde nas perguntas de comparar. Por isso a BNCC pede “quantos a mais e quantos a menos” no 2º ano e os significados de comparar e completar no 3º.

Exemplo Três perguntas, uma subtração
  • Tirar: 9 biscoitos, comi 3 → 9 − 3 = 6 sobraram
  • Comparar: Ana tem 9 figurinhas e Léo tem 6 → 9 − 6 = 3 a mais
  • Completar: tenho 6 figurinhas e quero 9 → 6 + ? = 9 → faltam 3

Para mostrar uma comparação, ponha lado a lado uma torre de 9 blocos e outra de 6. Os 3 blocos que sobram no alto são a diferença: nada foi tirado, e mesmo assim a resposta é 9 − 6 = 3.

Dica Cuidado com a palavra “mais”

Em “Ana tem 9 figurinhas. Ela tem 3 a mais que Léo. Quantas Léo tem?”, a palavra “mais” tenta a criança a somar (9 + 3 = 12), mas a resposta é 9 − 3 = 6. Encene o problema com as torres em vez de caçar palavras-chave.

Passo a passo: do tirar ao “empresta um”

Como na adição, vá dos objetos aos desenhos, como a reta numérica, e só depois à conta escrita. Um guia de práticas do What Works Clearinghouse, do Departamento de Educação dos Estados Unidos, recomenda a reta numérica como ferramenta central, e a BNCC do 3º ano pede que a criança veja as contas como deslocamentos na reta: 8 − 5 é a distância do 5 ao 8, que são 3 passos.

  1. Tirar com objetos (até 10). Ponha 8 uvas, coma 3 e conte o que sobrou: 5. Diga: “8 tira 3 é 5.”
  2. Contar para trás com números pequenos. Para 9 − 2, comece no 9 e volte 2: “oito, sete.” Na reta do chão, a criança dá 2 pulos para trás.
  3. Usar os pares que formam 10. Quem sabe que 7 + 3 = 10 também sabe que 10 − 3 = 7 e 10 − 7 = 3.
  4. Contar para a frente quando os números estão perto. Para 12 − 9, conte a partir do 9: 10, 11, 12. São 3 pulos, então 12 − 9 = 3, bem mais rápido que voltar 9.
  5. Passar pelo 10. Para 13 − 5, tire 3 para chegar a 10 e depois mais 2: 13 − 3 − 2 = 8.
  6. Dois algarismos sem troca. Para 47 − 23, tire as dezenas e depois as unidades: 47 − 20 = 27, e 27 − 3 = 24.
  7. Dois algarismos com troca. Quando faltam unidades, troque 1 dezena por 10 unidades (veja abaixo).
Exemplo Exemplos resolvidos
  • Contar para trás: 9 − 2 → 9… 8, 7 → 7
  • Contar para a frente: 12 − 9 → 9… 10, 11, 12 → 3 pulos → 3
  • Passar pelo 10: 13 − 5 = 13 − 3 − 2 = 10 − 2 = 8
  • Pensar na adição: 14 − 6 → 6 + 8 = 14 → 8
  • Dezenas, depois unidades: 47 − 23 = 47 − 20 − 3 = 27 − 3 = 24

Dica Conte os pulos, não os números

Ao contar para trás, muitas crianças incluem o número de partida, e 9 − 3 vira “9, 8, 7”. A resposta é onde você para depois de 3 pulos: 8, 7, 6. Pular numa reta de fita crepe no chão deixa isso fácil de sentir, e a Education Endowment Foundation (EEF), do Reino Unido, aponta alguma evidência de que se mover numa reta de verdade ajuda a aprender.

Subtração é a adição ao contrário

Adição e subtração se desfazem. Três números como 5, 8 e 13 formam uma “família de fatos” com quatro contas. A BNCC pede fatos básicos da adição e da subtração no 2º ano e, no 4º, que a criança use as relações entre as duas operações para ampliar as estratégias de cálculo.

Exemplo Uma família de fatos: 5, 8 e 13
  • 5 + 8 = 13
  • 8 + 5 = 13
  • 13 − 5 = 8
  • 13 − 8 = 5

Um desenho de parte e todo ajuda: um círculo com 13 (o todo) ligado a dois círculos com 5 e 8 (as partes). Cubra qualquer número e peça que a criança descubra qual é. O todo menos uma parte sempre dá a outra parte.

Casinhas da família de fatos

Idade
6–8
Duração
10 minutos
Você precisa de
Papel, caneta e 20 feijões ou botões
  1. Desenhe uma casa com um total no telhado, por exemplo 12, e duas janelas embaixo.
  2. A criança divide 12 feijões em dois grupos e escreve as partes nas janelas, por exemplo 7 e 5.
  3. Escrevam juntos as quatro contas embaixo da casa: 7 + 5 = 12, 5 + 7 = 12, 12 − 7 = 5, 12 − 5 = 7.
  4. Cubra uma janela com o dedo e pergunte: “Quem está escondido?”

O “empresta um” (desagrupamento), explicado com material dourado

Na escola, o “empresta um” que muitos pais aprenderam costuma se chamar desagrupamento ou troca: trocar 1 dezena por 10 unidades. Ele é necessário quando uma coluna não tem unidades suficientes para tirar. Na BNCC, os procedimentos convencionais de cálculo, como a conta armada, aparecem de forma explícita no 3º ano; antes disso, a criança subtrai com estratégias e registros pessoais.

  1. Monte 52: 5 barras de 10 e 2 cubinhos.
  2. Você precisa tirar 7 cubinhos, mas só há 2.
  3. Troque 1 barra por 10 cubinhos. Agora são 4 barras e 12 cubinhos, que continuam valendo 52.
  4. Tire 7 cubinhos: 12 − 7 = 5.
  5. Tire 2 barras: 4 − 2 = 2.
  6. Leia o resultado: 2 barras e 5 cubinhos formam 25. Confira somando: 25 + 27 = 52.
Exemplo Os mesmos passos na conta armada
  • Unidades: 2 − 7 não dá, então troque: 52 vira 40 + 12
  • Unidades: 12 − 7 = 5
  • Dezenas: 4 − 2 = 2
  • Resultado: 52 − 27 = 25

De cabeça também dá: mantenha o primeiro número inteiro, 52 − 20 = 32, e 32 − 7 = 25. Ou conte para a frente a partir de 27: 3 até 30, mais 20 até 50 e mais 2 até 52, então 3 + 20 + 2 = 25.

Dica Não quebre os dois números

Separar os dois números em dezenas e unidades funciona bem na adição, mas atrapalha na subtração. Em 63 − 17, é tentador fazer 60 − 10 = 50 e 7 − 3 = 4, o que dá 54. Mantenha o 63 inteiro: 63 − 10 = 53, e 53 − 7 = 46.

Erros comuns (e como corrigir)

  • Tirar o menor do maior. 52 − 27 vira 35 porque 7 − 2 parece mais fácil que 2 − 7. Correção: estime antes (perto de 50 − 30 = 20, então 35 é demais) e monte com material dourado.
  • Esquecer que a dezena saiu. Em 61 − 18, a criança troca e faz 11 − 8 = 3, mas continua com 6 dezenas e escreve 53. Correção: risque o 6 e escreva 5 assim que a barra for trocada. O resultado é 43.
  • Zeros. 40 − 17 pode virar 37 (7 − 0 = 7). Correção: 40 são 4 barras e nenhum cubinho, então é preciso trocar uma barra: 10 − 7 = 3 unidades e 3 − 1 = 2 dezenas, ou seja, 23.
  • Contar o número de partida ao voltar. 9 − 3 dá 7 em vez de 6. Correção: conte os pulos na reta numérica.
  • Inverter a conta. 3 − 8 não é o mesmo que 8 − 3. Correção: mostre com uvas que não dá para tirar 8 de 3.
  • Somar quando aparece “mais”. Veja a dica de comparação acima: encene com as torres.

Uma rotina de 5 minutos (e 2 jogos)

  1. Contar para trás (1 minuto): “Comece no 15 e volte 4” (14, 13, 12, 11).
  2. Da adição à subtração (1 minuto): “Se 6 + 4 = 10, quanto é 10 − 4?”
  3. Uma pergunta de comparar (1 minuto): “Você tem 7 anos e sua prima tem 4. Quantos anos você tem a mais?” (3)
  4. Um “empresta um” com material dourado, a partir dos 7 anos (2 minutos): 34 − 18 = 16.
  5. Termine com uma vitória fácil.

Boliche de garrafas

Idade
5–7
Duração
10 minutos
Você precisa de
10 garrafas PET vazias e uma bola macia
  1. Arrume as 10 garrafas como pinos de boliche.
  2. Jogue a bola e conte as garrafas que caíram, por exemplo 4.
  3. Antes de contar as que ficaram em pé, pergunte: “Quantas ainda estão de pé?” Depois, diga: “10 tira 4 é 6.”
  4. Crianças maiores começam com 30 pontos e tiram as garrafas derrubadas a cada jogada.

Corrida de volta ao zero

Idade
6–8
Duração
10 minutos
Você precisa de
Fita crepe ou giz para uma reta de 0 a 20, 1 dado e um brinquedinho para cada jogador
  1. Os dois jogadores começam no 20.
  2. Jogue o dado, volte esse número de casas e diga a conta: “20 − 4 = 16.”
  3. Para ganhar, é preciso parar exatamente no 0. Se o dado passar do 0, você perde a vez.
  4. Mais difícil: comecem no 50 numa reta de papel e usem dois dados.

Mais ideias sem tela estão no nosso guia de jogos de matemática, e as estratégias rápidas, em cálculo mental.

Quando conversar com a professora

Converse com a escola se isto continuar depois de algumas semanas de treino curto e regular:

  • perto do fim do 1º ano, a criança ainda precisa contar nos dedos toda subtração até 10;
  • no 2º ou no 3º ano, os erros de “empresta um” voltam sempre, mesmo depois de treinar com material dourado;
  • a ligação com a adição (8 + 5 = 13, então 13 − 5 = 8) parece nunca fazer sentido;
  • a criança fica ansiosa com a matemática ou foge dela (veja ansiedade com a matemática).

Pergunte qual método a turma usa para subtrair com dois algarismos (contar para a frente, reta numérica ou conta armada) e use o mesmo em casa.

Perguntas frequentes

Qual é o jeito mais fácil de ensinar subtração?

Comece com objetos e com a ideia de tirar: 8 uvas, comi 3, sobram 5. Depois, ensine a contar para trás com números pequenos, a contar para a frente quando os números estão perto e a ligação com a adição (7 + 3 = 10, então 10 − 3 = 7).

Qual é a diferença entre “empresta um” e desagrupamento?

É a mesma coisa. Empresta um é o nome que muitos pais aprenderam, e desagrupamento ou troca é como muitas escolas falam hoje: trocar 1 dezena por 10 unidades para ter unidades suficientes para tirar.

É melhor contar para trás ou para a frente?

Os dois servem. Conte para trás quando tirar um número pequeno (15 − 3) e para a frente quando os dois números estão perto (15 − 12), porque do 12 ao 15 são só 3 passos.

Por que meu filho soma quando a pergunta diz “quantos a mais”?

Muitas crianças aprendem que “mais” significa somar. Nas perguntas de comparar, “quantos a mais” pede a diferença, que é uma subtração. Encenar o problema com duas torres de blocos mostra o que está sendo perguntado.

Com que idade a criança subtrai números de dois algarismos?

Na BNCC, problemas de subtração com números de até dois algarismos já aparecem no 1º ano, com objetos e registros pessoais, e com números de até três ordens no 2º ano. Os procedimentos convencionais, como a conta armada com desagrupamento, aparecem de forma explícita no 3º ano, por volta dos 8 a 9 anos.

Como a criança pode conferir uma subtração?

Somando. Se 52 − 27 = 25, então 25 + 27 tem que dar 52; se não der, algo saiu errado.

Fontes

Escrito pela equipe do Matobur na Edict Digital e conferido com estas fontes:

  1. Base Nacional Comum Curricular (BNCC): Educação Infantil e Ensino Fundamental (abre em uma nova aba)Ministério da Educação (MEC)
  2. Assisting Students Struggling with Mathematics: Intervention in the Elementary Grades (guia de práticas, 2021) (abre em uma nova aba)What Works Clearinghouse, Institute of Education Sciences, Departamento de Educação dos EUA
  3. Improving Mathematics in the Early Years and Key Stage 1 (relatório de orientação, 2020) (abre em uma nova aba)Education Endowment Foundation (Reino Unido), cópia arquivada pela UCL (DERA)