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Como ensinar subtração: um passo a passo para pais
Ensine subtração em casa: tirar, comparar e completar, contar para trás e para a frente, a ligação com a adição e o “empresta um”, com objetos e jogos.

Resposta rápida
Ensine a subtração com três ideias: tirar (7 bananas, comi 2, sobram 5), comparar (9 é 3 a mais que 6) e completar (de 6 para 9 faltam 3). Comece com objetos. Conte para trás para tirar pouco (9 − 2) e para a frente quando os números estão perto (12 − 9: 10, 11, 12, então 3). Ligue cada fato à adição: 8 + 5 = 13, então 13 − 5 = 8. Deixe o “empresta um” por último.
Pontos principais
- A subtração tem vários significados: tirar, comparar e completar. A BNCC pede todos até o 3º ano.
- Conte para trás para tirar pouco (9 − 2); conte para a frente quando os números estão perto (12 − 9).
- Pense na adição: todo fato de subtração tem um par na adição. 7 + 3 = 10, então 10 − 3 = 7.
- Ensine o “empresta um” (desagrupamento) com dezenas de verdade, como as barras do material dourado, antes da conta armada.
- O erro clássico é tirar o menor do maior em cada coluna: 52 − 27 vira 35 em vez de 25. Estimar antes pega esse erro.
Com que idade a criança aprende a subtrair?
A subtração cresce junto com a adição. Na BNCC, ela aparece nos mesmos anos e ganha significados novos a cada etapa:
| Ano (idade) | O que a BNCC pede | Em casa |
|---|---|---|
| 1º ano (6–7) | Problemas de separar e retirar com números de até dois algarismos, com imagens ou material manipulável e registros pessoais | Tirar com objetos, contar para trás |
| 2º ano (7–8) | Fatos básicos da subtração no cálculo mental ou escrito; problemas com números de até três ordens; dizer quantos a mais e quantos a menos ao comparar quantidades | Ligar à adição, comparar torres de blocos |
| 3º ano (8–9) | Significados de comparar e completar quantidades; cálculo mental e escrito, inclusive os procedimentos convencionais | Contar para a frente, “empresta um” com material dourado |
| 4º ano (9–10) | Subtração com números maiores, com cálculo mental, algoritmos e estimativas; relações entre adição e subtração para calcular | Conferir somando, estimar antes |
Se um passo ficar difícil, volte um passo e use objetos de novo. Para o quadro geral, veja habilidades de matemática por idade.
Tirar, comparar ou completar? Ensine os três
A maioria das crianças conhece a subtração como tirar: “Você tinha 7 uvas e comeu 2. Quantas sobraram?”. É um ótimo começo. Mas a subtração também responde a outras perguntas: “Quantos a mais?”, “Quantos a menos?” e “Quanto falta?”. Quem só conhece o tirar se confunde nas perguntas de comparar. Por isso a BNCC pede “quantos a mais e quantos a menos” no 2º ano e os significados de comparar e completar no 3º.
- Tirar: 9 biscoitos, comi 3 → 9 − 3 = 6 sobraram
- Comparar: Ana tem 9 figurinhas e Léo tem 6 → 9 − 6 = 3 a mais
- Completar: tenho 6 figurinhas e quero 9 → 6 + ? = 9 → faltam 3
Para mostrar uma comparação, ponha lado a lado uma torre de 9 blocos e outra de 6. Os 3 blocos que sobram no alto são a diferença: nada foi tirado, e mesmo assim a resposta é 9 − 6 = 3.

Dica Cuidado com a palavra “mais”
Em “Ana tem 9 figurinhas. Ela tem 3 a mais que Léo. Quantas Léo tem?”, a palavra “mais” tenta a criança a somar (9 + 3 = 12), mas a resposta é 9 − 3 = 6. Encene o problema com as torres em vez de caçar palavras-chave.
Passo a passo: do tirar ao “empresta um”
Como na adição, vá dos objetos aos desenhos, como a reta numérica, e só depois à conta escrita. Um guia de práticas do What Works Clearinghouse, do Departamento de Educação dos Estados Unidos, recomenda a reta numérica como ferramenta central, e a BNCC do 3º ano pede que a criança veja as contas como deslocamentos na reta: 8 − 5 é a distância do 5 ao 8, que são 3 passos.
- Tirar com objetos (até 10). Ponha 8 uvas, coma 3 e conte o que sobrou: 5. Diga: “8 tira 3 é 5.”
- Contar para trás com números pequenos. Para 9 − 2, comece no 9 e volte 2: “oito, sete.” Na reta do chão, a criança dá 2 pulos para trás.
- Usar os pares que formam 10. Quem sabe que 7 + 3 = 10 também sabe que 10 − 3 = 7 e 10 − 7 = 3.
- Contar para a frente quando os números estão perto. Para 12 − 9, conte a partir do 9: 10, 11, 12. São 3 pulos, então 12 − 9 = 3, bem mais rápido que voltar 9.
- Passar pelo 10. Para 13 − 5, tire 3 para chegar a 10 e depois mais 2: 13 − 3 − 2 = 8.
- Dois algarismos sem troca. Para 47 − 23, tire as dezenas e depois as unidades: 47 − 20 = 27, e 27 − 3 = 24.
- Dois algarismos com troca. Quando faltam unidades, troque 1 dezena por 10 unidades (veja abaixo).
- Contar para trás: 9 − 2 → 9… 8, 7 → 7
- Contar para a frente: 12 − 9 → 9… 10, 11, 12 → 3 pulos → 3
- Passar pelo 10: 13 − 5 = 13 − 3 − 2 = 10 − 2 = 8
- Pensar na adição: 14 − 6 → 6 + 8 = 14 → 8
- Dezenas, depois unidades: 47 − 23 = 47 − 20 − 3 = 27 − 3 = 24

Dica Conte os pulos, não os números
Ao contar para trás, muitas crianças incluem o número de partida, e 9 − 3 vira “9, 8, 7”. A resposta é onde você para depois de 3 pulos: 8, 7, 6. Pular numa reta de fita crepe no chão deixa isso fácil de sentir, e a Education Endowment Foundation (EEF), do Reino Unido, aponta alguma evidência de que se mover numa reta de verdade ajuda a aprender.
Subtração é a adição ao contrário
Adição e subtração se desfazem. Três números como 5, 8 e 13 formam uma “família de fatos” com quatro contas. A BNCC pede fatos básicos da adição e da subtração no 2º ano e, no 4º, que a criança use as relações entre as duas operações para ampliar as estratégias de cálculo.
- 5 + 8 = 13
- 8 + 5 = 13
- 13 − 5 = 8
- 13 − 8 = 5
Um desenho de parte e todo ajuda: um círculo com 13 (o todo) ligado a dois círculos com 5 e 8 (as partes). Cubra qualquer número e peça que a criança descubra qual é. O todo menos uma parte sempre dá a outra parte.
Casinhas da família de fatos
- Desenhe uma casa com um total no telhado, por exemplo 12, e duas janelas embaixo.
- A criança divide 12 feijões em dois grupos e escreve as partes nas janelas, por exemplo 7 e 5.
- Escrevam juntos as quatro contas embaixo da casa: 7 + 5 = 12, 5 + 7 = 12, 12 − 7 = 5, 12 − 5 = 7.
- Cubra uma janela com o dedo e pergunte: “Quem está escondido?”
O “empresta um” (desagrupamento), explicado com material dourado
Na escola, o “empresta um” que muitos pais aprenderam costuma se chamar desagrupamento ou troca: trocar 1 dezena por 10 unidades. Ele é necessário quando uma coluna não tem unidades suficientes para tirar. Na BNCC, os procedimentos convencionais de cálculo, como a conta armada, aparecem de forma explícita no 3º ano; antes disso, a criança subtrai com estratégias e registros pessoais.
- Monte 52: 5 barras de 10 e 2 cubinhos.
- Você precisa tirar 7 cubinhos, mas só há 2.
- Troque 1 barra por 10 cubinhos. Agora são 4 barras e 12 cubinhos, que continuam valendo 52.
- Tire 7 cubinhos: 12 − 7 = 5.
- Tire 2 barras: 4 − 2 = 2.
- Leia o resultado: 2 barras e 5 cubinhos formam 25. Confira somando: 25 + 27 = 52.
- Unidades: 2 − 7 não dá, então troque: 52 vira 40 + 12
- Unidades: 12 − 7 = 5
- Dezenas: 4 − 2 = 2
- Resultado: 52 − 27 = 25
De cabeça também dá: mantenha o primeiro número inteiro, 52 − 20 = 32, e 32 − 7 = 25. Ou conte para a frente a partir de 27: 3 até 30, mais 20 até 50 e mais 2 até 52, então 3 + 20 + 2 = 25.

Dica Não quebre os dois números
Separar os dois números em dezenas e unidades funciona bem na adição, mas atrapalha na subtração. Em 63 − 17, é tentador fazer 60 − 10 = 50 e 7 − 3 = 4, o que dá 54. Mantenha o 63 inteiro: 63 − 10 = 53, e 53 − 7 = 46.
Erros comuns (e como corrigir)
- Tirar o menor do maior. 52 − 27 vira 35 porque 7 − 2 parece mais fácil que 2 − 7. Correção: estime antes (perto de 50 − 30 = 20, então 35 é demais) e monte com material dourado.
- Esquecer que a dezena saiu. Em 61 − 18, a criança troca e faz 11 − 8 = 3, mas continua com 6 dezenas e escreve 53. Correção: risque o 6 e escreva 5 assim que a barra for trocada. O resultado é 43.
- Zeros. 40 − 17 pode virar 37 (7 − 0 = 7). Correção: 40 são 4 barras e nenhum cubinho, então é preciso trocar uma barra: 10 − 7 = 3 unidades e 3 − 1 = 2 dezenas, ou seja, 23.
- Contar o número de partida ao voltar. 9 − 3 dá 7 em vez de 6. Correção: conte os pulos na reta numérica.
- Inverter a conta. 3 − 8 não é o mesmo que 8 − 3. Correção: mostre com uvas que não dá para tirar 8 de 3.
- Somar quando aparece “mais”. Veja a dica de comparação acima: encene com as torres.
Uma rotina de 5 minutos (e 2 jogos)
- Contar para trás (1 minuto): “Comece no 15 e volte 4” (14, 13, 12, 11).
- Da adição à subtração (1 minuto): “Se 6 + 4 = 10, quanto é 10 − 4?”
- Uma pergunta de comparar (1 minuto): “Você tem 7 anos e sua prima tem 4. Quantos anos você tem a mais?” (3)
- Um “empresta um” com material dourado, a partir dos 7 anos (2 minutos): 34 − 18 = 16.
- Termine com uma vitória fácil.
Boliche de garrafas
- Arrume as 10 garrafas como pinos de boliche.
- Jogue a bola e conte as garrafas que caíram, por exemplo 4.
- Antes de contar as que ficaram em pé, pergunte: “Quantas ainda estão de pé?” Depois, diga: “10 tira 4 é 6.”
- Crianças maiores começam com 30 pontos e tiram as garrafas derrubadas a cada jogada.
Corrida de volta ao zero
- Os dois jogadores começam no 20.
- Jogue o dado, volte esse número de casas e diga a conta: “20 − 4 = 16.”
- Para ganhar, é preciso parar exatamente no 0. Se o dado passar do 0, você perde a vez.
- Mais difícil: comecem no 50 numa reta de papel e usem dois dados.
Mais ideias sem tela estão no nosso guia de jogos de matemática, e as estratégias rápidas, em cálculo mental.
Quando conversar com a professora
Converse com a escola se isto continuar depois de algumas semanas de treino curto e regular:
- perto do fim do 1º ano, a criança ainda precisa contar nos dedos toda subtração até 10;
- no 2º ou no 3º ano, os erros de “empresta um” voltam sempre, mesmo depois de treinar com material dourado;
- a ligação com a adição (8 + 5 = 13, então 13 − 5 = 8) parece nunca fazer sentido;
- a criança fica ansiosa com a matemática ou foge dela (veja ansiedade com a matemática).
Pergunte qual método a turma usa para subtrair com dois algarismos (contar para a frente, reta numérica ou conta armada) e use o mesmo em casa.
Perguntas frequentes
Qual é o jeito mais fácil de ensinar subtração?
Comece com objetos e com a ideia de tirar: 8 uvas, comi 3, sobram 5. Depois, ensine a contar para trás com números pequenos, a contar para a frente quando os números estão perto e a ligação com a adição (7 + 3 = 10, então 10 − 3 = 7).
Qual é a diferença entre “empresta um” e desagrupamento?
É a mesma coisa. Empresta um é o nome que muitos pais aprenderam, e desagrupamento ou troca é como muitas escolas falam hoje: trocar 1 dezena por 10 unidades para ter unidades suficientes para tirar.
É melhor contar para trás ou para a frente?
Os dois servem. Conte para trás quando tirar um número pequeno (15 − 3) e para a frente quando os dois números estão perto (15 − 12), porque do 12 ao 15 são só 3 passos.
Por que meu filho soma quando a pergunta diz “quantos a mais”?
Muitas crianças aprendem que “mais” significa somar. Nas perguntas de comparar, “quantos a mais” pede a diferença, que é uma subtração. Encenar o problema com duas torres de blocos mostra o que está sendo perguntado.
Com que idade a criança subtrai números de dois algarismos?
Na BNCC, problemas de subtração com números de até dois algarismos já aparecem no 1º ano, com objetos e registros pessoais, e com números de até três ordens no 2º ano. Os procedimentos convencionais, como a conta armada com desagrupamento, aparecem de forma explícita no 3º ano, por volta dos 8 a 9 anos.
Como a criança pode conferir uma subtração?
Somando. Se 52 − 27 = 25, então 25 + 27 tem que dar 52; se não der, algo saiu errado.
Fontes
Escrito pela equipe do Matobur na Edict Digital e conferido com estas fontes:
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC): Educação Infantil e Ensino Fundamental (abre em uma nova aba)Ministério da Educação (MEC)
- Assisting Students Struggling with Mathematics: Intervention in the Elementary Grades (guia de práticas, 2021) (abre em uma nova aba)What Works Clearinghouse, Institute of Education Sciences, Departamento de Educação dos EUA
- Improving Mathematics in the Early Years and Key Stage 1 (relatório de orientação, 2020) (abre em uma nova aba)Education Endowment Foundation (Reino Unido), cópia arquivada pela UCL (DERA)