Habilidade por habilidade
Como ensinar adição: um passo a passo para pais
Passo a passo para ensinar adição em casa: continuar a contagem, pares que formam 10, completar 10, dobros e o “vai um”, com dedos, material dourado e jogos.

Resposta rápida
Ensine a adição em passos pequenos e só avance quando um passo ficar fácil. Comece juntando objetos de verdade e contando tudo. Depois, continue a contagem a partir do número maior (9 + 3: “nove… dez, onze, doze”). Em seguida, aprenda os pares que formam 10 e use-os para completar 10 (8 + 5 = 8 + 2 + 3 = 13), depois os dobros e, por fim, dezenas, unidades e o “vai um”.
Pontos principais
- Siga uma ordem: contar tudo → continuar a contagem → pares que formam 10 → completar 10 → dobros → dezenas e unidades → “vai um”.
- Use objetos, depois desenhos, depois símbolos: dedos e material dourado primeiro, desenhos em seguida, conta escrita por último.
- Ensine a começar pelo número maior: 2 + 9 fica mais rápido como 9 + 2.
- Na BNCC, os fatos básicos da adição começam no 1º ano, e os procedimentos convencionais, como a conta armada, aparecem de forma explícita no 3º ano.
- Poucos minutos na maioria dos dias, quase sempre com jogos e perguntas do dia a dia, bastam.
Com que idade a criança aprende a somar?
A maioria das crianças começa a somar na pré-escola, juntando pequenos grupos de objetos e contando tudo, mesmo sem contas formais. No ensino fundamental, a BNCC organiza a adição assim:
| Ano (idade) | O que a BNCC pede | Em casa |
|---|---|---|
| 1º ano (6–7) | Construir fatos básicos da adição; compor e decompor números de até dois algarismos com material manipulável; resolver problemas de juntar e acrescentar com números de até dois algarismos, com estratégias pessoais | Continuar a contagem a partir do maior, pares que formam 10 |
| 2º ano (7–8) | Usar fatos básicos da adição e da subtração no cálculo mental ou escrito; compor e decompor números de até três algarismos; problemas com números de até três ordens | Dezenas e unidades, dobros |
| 3º ano (8–9) | Cálculo mental e escrito, inclusive os procedimentos convencionais (a conta armada); cálculo exato ou aproximado | “Vai um” com material dourado, estimativa |
| 4º ano (9–10) | Adição com números maiores usando cálculo mental, algoritmos e estimativas; propriedades das operações | Conferir com estimativa, trocar a ordem das parcelas |
São metas para o fim de cada ano, não prazos rígidos. O que importa é cada passo estar firme antes do seguinte. Para todos os temas, veja habilidades de matemática por idade.
Passo a passo: da contagem ao “vai um”
Pense na adição como uma escada. A BNCC pede que a criança vá além de contar de 1 em 1 e construa fatos básicos e estratégias de cálculo antes de chegar aos números maiores.
- Contar tudo. Junte 4 carrinhos com 3 carrinhos e conte todos: 1, 2, 3… 7. Somar é juntar grupos.
- Continuar a contagem. Diga o primeiro número e conte a partir dele: 4 + 3 é “quatro… cinco, seis, sete”, com 3 dedos. Depois, comece pelo maior: 2 + 9 fica mais fácil como “nove… dez, onze”.
- Pares que formam 10. Os pares que dão 10 são 1 + 9, 2 + 8, 3 + 7, 4 + 6 e 5 + 5. Levante os 10 dedos e abaixe 3: ficam 7 de pé.
- Completar 10. Em 8 + 5, faltam 2 para o 8 virar 10, então separe o 5 em 2 e 3: 8 + 2 = 10, e 10 + 3 = 13.
- Dobros e quase dobros. Dobros como 6 + 6 = 12 se fixam rápido, e 6 + 7 é só o dobro de 6 mais 1, ou seja, 13.
- Dezenas e unidades. Some dezenas com dezenas e unidades com unidades: 34 + 25 é 50 + 9 = 59.
- “Vai um” (reagrupamento). Quando as unidades passam de 9, troque 10 unidades por 1 dezena: em 47 + 25, 7 + 5 = 12, que é 1 dezena e 2 unidades, e o resultado é 72.
- Continuar a contagem: 9 + 3 → 9… 10, 11, 12 → 12
- Completar 10: 8 + 5 = 8 + 2 + 3 = 10 + 3 = 13
- Completar 10: 7 + 6 = 7 + 3 + 3 = 10 + 3 = 13
- Quase dobro: 7 + 8 = 7 + 7 + 1 = 14 + 1 = 15
- Dezenas e unidades: 34 + 25 = 30 + 20 + 4 + 5 = 50 + 9 = 59
- “Vai um”: 47 + 25 = 60 + 12 = 72

Dica A regra de ouro de continuar a contagem
Diga o primeiro número, mas não conte com ele. Em 6 + 3, a criança diz “seis” e conta mais 3: “sete, oito, nove”. Dizer “seis, sete, oito” conta o 6 duas vezes. Ela pode tocar a cabeça no “seis” e usar os dedos só para o 3.
Primeiro objetos, depois desenhos, depois símbolos
Uma conta como 7 + 5 = 12 faz muito mais sentido depois que a criança a fez com as mãos. A BNCC pede material manipulável já no 1º ano para compor e decompor números, e um guia de práticas do What Works Clearinghouse, do Departamento de Educação dos Estados Unidos, recomenda um conjunto bem escolhido de objetos e desenhos ao lado da conta escrita.
- Dedos: o material de matemática original. A Education Endowment Foundation (EEF), uma fundação inglesa de pesquisa em educação, recomenda incentivar o uso.
- Material dourado: o cubinho vale 1 unidade, a barra vale 1 dezena (10 cubinhos) e a placa vale 1 centena (100 cubinhos). Se não tiver em casa, use palitos de sorvete amarrados de 10 em 10.
- Feijões, macarrão ou tampinhas: fáceis de contar, agrupar e esconder debaixo de um copo.
- Um quadro de dez desenhado no papel: 2 fileiras de 5 casas, um feijão por casa, completando a fileira de cima primeiro.
- Uma reta numérica no chão: fita crepe de 0 a 20, com passos iguais. A EEF aponta alguma evidência de que se mover numa reta numérica de verdade ajuda a aprender.
- Objetos: ponha 7 feijões no quadro de dez e mais 5; 3 completam o quadro e 2 ficam de fora
- Desenho: um quadro cheio (10) e mais 2 bolinhas
- Símbolos: 7 + 5 = 7 + 3 + 2 = 10 + 2 = 12

Dica Quando guardar os objetos?
Quando a criança disser a resposta antes de contar, passe para os desenhos. E escreva sempre a conta ao lado do material: a EEF lembra que uma criança pode somar bem com blocos e mesmo assim não ligar isso à conta escrita. Voltar aos feijões num passo novo e difícil é normal.
Adição com dois algarismos e o “vai um”, sem mistério
Tudo se apoia numa ideia: um número de dois algarismos é feito de dezenas e unidades, então 47 são 4 dezenas e 7 unidades. Antes de qualquer conta armada, monte os números com material dourado (ou com amarrados de 10 palitos) e peças soltas.
- Monte os dois números: 47 são 4 barras e 7 cubinhos; 25 são 2 barras e 5 cubinhos.
- Junte as unidades: 7 + 5 = 12 cubinhos.
- Faça a troca: 10 dos 12 cubinhos viram 1 barra nova, e sobram 2.
- Conte as barras: 4 + 2 + 1 = 7 barras, ou 70, mais 2 cubinhos: 72.
- Escreva a conta ao lado do material: 47 + 25 = 72.
Trocar 10 unidades por 1 dezena se chama reagrupamento na escola; muitos pais aprenderam como “vai um” ou “sobe um”. Na BNCC, a criança resolve problemas com números de até dois algarismos usando estratégias pessoais no 1º ano e com números de até três ordens no 2º, e os procedimentos convencionais, como a conta armada, aparecem de forma explícita no 3º ano. Pergunte à escola quando a turma começa a armar as contas.
- Unidades: 7 + 5 = 12 → escreva 2 e “vai um” para as dezenas
- Dezenas: 4 + 2 + 1 = 7 → escreva 7
- Resultado: 47 + 25 = 72

Dica Estime antes
Antes de somar, pergunte: “Vai dar mais ou menos quanto?”. 47 + 25 é perto de 50 + 25, então uns 75. Um resultado como 612 ou 62 já parece errado na hora. A BNCC pede justamente cálculo exato e aproximado.
Erros comuns (e como corrigir)
- Contar o primeiro número duas vezes. 5 + 3 vira “5, 6, 7”, e dá 7. Correção: diga “cinco” e dê 3 pulos na reta do chão: 6, 7, 8.
- Começar sempre pelo primeiro número. Contar 9 a partir do 2 é lento e dá erro. Correção: mostre com feijões que 2 + 9 e 9 + 2 dão o mesmo e comece pelo monte maior.
- Escrever 612 para 47 + 25. A criança escreve o total das dezenas (6) e o das unidades (12) lado a lado. Correção: monte com material dourado e troque 10 cubinhos por 1 barra; o resultado tem 7 dezenas e 2 unidades.
- Esquecer o “vai um” (62 em vez de 72). Correção: estime antes e diga a troca em voz alta: “12 unidades são 1 dezena e 2 unidades.”
- Somar unidades às dezenas. 34 + 5 vira 84. Correção: pergunte “São 5 unidades ou 5 dezenas?” e ponha os 5 cubinhos ao lado dos 4 cubinhos.
- Ler = como “o resultado é”. Em 8 + 4 = □ + 5, muita criança escreve 12 no quadradinho. Correção: leia = como “vale o mesmo que” e confira os dois lados com objetos; o quadradinho é 7. Nosso guia de problemas com número que falta mostra como.
Uma rotina de 5 minutos (e 3 jogos)
Um guia de práticas do Departamento de Educação dos Estados Unidos recomenda espaçar o estudo ao longo do tempo: um pouco todo dia fixa mais do que muito de uma vez.
- Continuar a contagem (1 minuto): “Comece no 17 e conte mais 4” (18, 19, 20, 21).
- Par do dia (1 minuto): “Quem forma 10 com o 6?” Dedos para cima: “6 e 4 dão 10.”
- Uma conta de completar 10 (2 minutos): 9 + 4 com feijões no quadro de dez, depois em voz alta: 9 + 1 + 3 = 13.
- Uma conta do dia a dia (1 minuto): “Tem 8 garfos na mesa e precisamos de mais 5. Quantos vão ser?” (13)
- Pare enquanto está divertido: termine com uma pergunta fácil.
Esconde e conta
- Contem juntos 5 feijões num montinho e cubram com o copo.
- Com a criança olhando, passe mais 3 feijões para debaixo do copo.
- Pergunte: “Quantos estão escondidos agora?” Incentive a continuar a contagem: “cinco… seis, sete, oito.”
- Levante o copo e contem para conferir. Depois, troquem de papel.
Pares que formam 10
- Vire 12 cartas para cima, em fileiras.
- Na sua vez, ache duas cartas que somem 10, como 7 e 3, e diga a soma em voz alta: “7 mais 3 é 10.”
- Complete os buracos com cartas do monte. Se não houver nenhum par, vire mais 4 cartas.
- Quando o monte acabar, ganha quem tiver mais pares.
Dominó de somar
- Vire as peças para baixo e misture. Cada jogador pega 7.
- Ao mesmo tempo, cada um vira uma peça, soma as duas metades e diz a conta: “4 mais 5 é 9.”
- A maior soma leva as peças da rodada. Empate? Cada um vira mais uma.
- Quando as peças acabarem, ganha quem tiver mais. Mais difícil: virem duas peças cada e somem os quatro números, completando 10 quando der: 6 + 4 + 3 + 2 = 10 + 5 = 15.
Mais ideias estão nos nossos jogos de matemática sem tela e nas estratégias de cálculo mental que vêm em seguida.
Quando conversar com a professora
Toda criança tem fases em que empaca. Depois de algumas semanas de treino curto e regular, vale uma conversa tranquila com a escola se:
- no 1º ano, a criança ainda conta todos os objetos desde o 1 e não consegue continuar a contagem a partir de um número;
- perto do fim do 1º ano, continhas como 6 + 3 ainda demoram muito;
- no 2º ou no 3º ano, ela não sabe dizer quantas dezenas há em 47;
- a hora da matemática termina muitas vezes em choro ou recusa (veja nosso guia de ansiedade com a matemática).
Pergunte quais estratégias a turma usa, como completar 10, decompor ou a reta numérica, e use as mesmas palavras em casa. Um método é mais fácil para a criança do que dois.
Perguntas frequentes
Como ensinar meu filho a somar?
Comece com objetos de verdade: junte dois grupos pequenos e conte tudo. Depois, ensine a continuar a contagem a partir do número maior, os pares que formam 10 e a estratégia de completar 10 (8 + 5 = 8 + 2 + 3 = 13), e passe para a conta escrita quando objetos e desenhos fizerem sentido.
Com que idade a criança aprende a somar?
Muitas crianças juntam e contam pequenos grupos de objetos na pré-escola. Na BNCC, os fatos básicos da adição e os problemas de juntar e acrescentar com números de até dois algarismos são do 1º ano, por volta dos 6 a 7 anos, e o cálculo mental e escrito vai se ampliando até o 4º ano.
Tudo bem contar nos dedos?
Sim. Os dedos são um recurso útil no começo, e a Education Endowment Foundation recomenda incentivá-los. Com o tempo, passe de contar cada dedo para os pares que formam 10 e os dobros, até a resposta sair de memória.
O que são os pares que formam 10?
São os pares de números que somam 10: 0 + 10, 1 + 9, 2 + 8, 3 + 7, 4 + 6 e 5 + 5. Sabê-los de cor facilita completar 10 e, mais tarde, a subtração.
Como explicar o “vai um”?
Use material dourado ou amarrados de 10 palitos. Quando as unidades passam de 9, 10 cubinhos viram 1 barra: em 47 + 25, as 12 unidades viram 1 dezena e 2 unidades, então o resultado é 72.
Quanto tempo de treino de adição por dia?
De 5 a 10 minutos na maioria dos dias bastam, de preferência como jogo ou pergunta do dia a dia. Parar enquanto ainda está divertido mantém a vontade de voltar.
Fontes
Escrito pela equipe do Matobur na Edict Digital e conferido com estas fontes:
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC): Educação Infantil e Ensino Fundamental (abre em uma nova aba)Ministério da Educação (MEC)
- Assisting Students Struggling with Mathematics: Intervention in the Elementary Grades (guia de práticas, 2021) (abre em uma nova aba)What Works Clearinghouse, Institute of Education Sciences, Departamento de Educação dos EUA
- Improving Mathematics in the Early Years and Key Stage 1 (relatório de orientação, 2020) (abre em uma nova aba)Education Endowment Foundation (Reino Unido), cópia arquivada pela UCL (DERA)
- Organizing Instruction and Study to Improve Student Learning (guia de práticas, 2007) (abre em uma nova aba)What Works Clearinghouse, Institute of Education Sciences, Departamento de Educação dos EUA