Habilidade por habilidade
Comparar números: como ensinar maior que e menor que
Como ensinar a comparar números: mais e menos, dezenas e unidades, os sinais > e <, o truque do jacaré e suas armadilhas, a reta numérica e as estimativas.

Resposta rápida
A criança aprende a comparar em etapas: primeiro grupos de objetos (qual monte tem mais?), depois números até 10 pela ordem da contagem e, então, números de dois algarismos por dezenas e unidades: 47 > 39 porque 4 dezenas vencem 3 dezenas. Ensine os sinais por último e leia em voz alta: 7 > 4 é “sete é maior que quatro”. A reta numérica, o material dourado e jogos de estimativa deixam o tamanho visível.
Pontos principais
- Comece com objetos: formar pares entre dois grupos mostra qual tem mais, por mais espalhados que estejam.
- Em números de dois algarismos, compare as dezenas primeiro; olhe as unidades só se as dezenas forem iguais.
- Leia os sinais como palavras, da esquerda para a direita: 8 > 5 é “oito é maior que cinco”. O jacaré é um lembrete, não a explicação.
- Na reta numérica, o número maior está sempre mais à direita.
- Estime primeiro e conte depois: isso dá noção do tamanho dos números.
Com que idade a criança aprende a comparar números?
Comparar começa antes da escola: “Quem tem mais uvas?” já é uma comparação. A BNCC organiza o tema assim:
| Ano (idade) | O que a BNCC pede |
|---|---|
| Pré-escola (5 anos) | Comparar objetos pelas suas propriedades; usar palavras como maior, menor e igual; dizer o que vem antes, depois e entre numa sequência |
| 1º ano (6–7) | Comparar quantidades de dois conjuntos (cerca de 20 objetos) por estimativa ou por correspondência um a um; comparar números de até dois algarismos, com e sem a reta numérica |
| 2º ano (7–8) | Comparar e ordenar números até as centenas pelo valor posicional e pela função do zero; dizer quantos a mais e quantos a menos |
| 3º ano (8–9) | Ler, escrever e comparar números até a unidade de milhar; usar a reta numérica para ordenar |
| 4º ano (9–10) | Ler, escrever e ordenar números até as dezenas de milhar |
A BNCC não fala em sinais nem em jacaré: ela pede que a criança compare. Os sinais > e < são a forma escrita dessa comparação, e o material da turma decide quando apresentá-los. Seja qual for o ano, as palavras vêm antes dos símbolos. Para outros temas por idade, veja habilidades de matemática por idade.
Como a comparação se desenvolve: do “mais” aos sinais
A comparação costuma se desenvolver em etapas, e cada uma se apoia na anterior:
- Ver quantidades pequenas de relance. A criança reconhece 1, 2 ou 3 objetos sem contar; isso se chama subitização.
- Contar para comparar. Com 9 ursinhos e 6 ursinhos, ela conta os dois grupos e sabe que 9 é mais.
- Saber o que vem depois. Ela diz o número que vem depois do 5 sem começar do 1.
- Comparar de cabeça. Ela responde “O que é mais, 7 ou 8?” sem objetos.
- Perceber o padrão. Cada número é exatamente 1 a mais que o anterior.
O valor posicional e os sinais escritos vêm depois.

Dica Espalhado não quer dizer mais
Faça uma fileira comprida com 6 moedas e um montinho apertado com 8. Crianças pequenas costumam dizer que a fileira comprida tem mais. Em vez de corrigir, forme pares, uma moeda de cada lado: as 2 moedas sem par mostram que 8 é mais. É a correspondência um a um que a BNCC pede no 1º ano.
Dezenas e unidades: a chave para comparar números maiores
Valor posicional quer dizer que o valor de um algarismo depende do lugar dele: em 47, o 4 vale 4 dezenas (40) e o 7 vale 7 unidades. Quem entende isso compara números de dois algarismos em segundos. Monte os números primeiro com material dourado (barras de 10 e cubinhos) ou com amarrados de 10 palitos.
- 47 são 4 dezenas e 7 unidades; 39 são 3 dezenas e 9 unidades
- 4 dezenas > 3 dezenas, então 47 > 39
- Dezenas iguais? Compare as unidades: 62 < 68
- Três algarismos: 305 > 298 porque 3 centenas > 2 centenas
Atenção à escrita dos números falados. “Setenta e dois” pode virar 702 quando a criança escreve o que ouve: 70 e depois 2. E, de 11 a 15, os nomes (onze, doze, treze, catorze, quinze) escondem o “dez e um”, “dez e dois”; dizer “dez e quatro” mostrando 1 barra e 4 cubinhos ajuda a enxergar o 14. A BNCC do 2º ano destaca justamente o valor posicional e a função do zero.

Dica Um a mais, um a menos, dez a mais, dez a menos
Pergunte “Quanto é 1 a mais que 39?” e “Quanto é 10 a mais que 47?”, depois acrescente um cubinho ou uma barra e veja o número mudar. É o “antes, depois e entre” da pré-escola crescendo junto com a criança.
Maior que, menor que: o truque do jacaré e suas armadilhas
Os sinais são simples quando a gente conhece: > quer dizer “é maior que”, < quer dizer “é menor que” e = quer dizer “é igual a”. O lado aberto fica sempre virado para o número maior; a ponta, para o menor.
Muitas crianças aprendem com o jacaré: ele é guloso e sempre quer comer o número maior, então abre a boca para ele. É um bom lembrete, mas tem armadilhas:
- As palavras se perdem. A criança escreve 9 > 4 certo, mas lê “o jacaré come o 9”. Na escola, ela precisa dizer “nove é maior que quatro”.
- Ler de trás para a frente. 3 < 8 se lê a partir da esquerda: “três é menor que oito”. Quem depende do jacaré pode dizer “oito é maior”, o que é verdade, mas lê a sentença ao contrário e se atrapalha mais tarde com sentenças maiores.
- Confundir o lado. Algumas crianças lembram do jacaré, mas não para que lado ele olha. Decida primeiro qual número é maior e só depois abra o sinal para ele.
- Números iguais. Com 6 e 6, o jacaré não tem o que comer; a criança precisa saber que = também é uma opção.
- Pula o raciocínio. O truque só funciona depois que a criança sabe qual número é maior, e essa é a habilidade de verdade.
- 9 > 4: “nove é maior que quatro”
- 3 < 8: “três é menor que oito”
- 6 = 6: “seis é igual a seis”
- 4 + 4 > 7: “quatro mais quatro é maior que sete”

Dica Fale antes de escrever
Peça a resposta em palavras primeiro (“Qual é maior?”) e só depois o sinal. Algumas crianças gostam de “a pontinha aponta para o número pequeno”.
Ordenar números na reta numérica
A reta numérica mostra o tamanho como distância: quanto mais à direita, maior o número. A BNCC usa a reta para comparar já no 1º ano e para ordenar números no 3º, e um guia de práticas do What Works Clearinghouse, do Departamento de Educação dos Estados Unidos, a recomenda como ferramenta central para crianças com dificuldade. Faça uma no chão com fita crepe, de 0 a 20 em passos iguais, e deixe a criança ficar em cima: “Pare no 12. O 15 está à sua esquerda ou à sua direita? Qual é maior?”
Depois, tente uma reta vazia com só o 0 e o 20 marcados: onde fica o 10? Muitas crianças apertam os números maiores no fim; marcar primeiro o meio ajuda. A meta é um “mais ou menos aqui” com uma boa explicação, não precisão.
- 10 fica no meio, entre 0 e 20
- 5 fica no meio, entre 0 e 10
- 16 fica um pouco depois do meio, entre 10 e 20
- 19 é 1 a menos que 20, colado no fim
Corrida na trilha reta
- Desenhe uma trilha reta com 10 casas iguais, numeradas de 1 a 10.
- Na sua vez, jogue a moeda: cara anda 1 casa, coroa anda 2. Diga os números enquanto anda: “cinco, seis.”
- Depois de cada jogada, pergunte: “Quem está mais adiante? O número de quem é maior?”
- Quando 10 casas ficarem fáceis, desenhe uma trilha de 1 a 20.
Por que uma trilha reta e numerada? Num estudo publicado na revista Child Development, crianças pré-escolares de famílias de baixa renda nos Estados Unidos (idade média de 5,4 anos) que jogaram uma trilha assim por cerca de uma hora no total melhoraram em comparar números e localizá-los na reta numérica, com ganhos que duraram 9 semanas. Colegas que jogaram com casas coloridas em vez de números não melhoraram. O relatório da Education Endowment Foundation para os primeiros anos aponta evidências parecidas.
Batalha de cartas
- Distribua as cartas viradas para baixo entre dois jogadores.
- Os dois viram uma carta ao mesmo tempo. O maior número leva as duas cartas, depois de dizer a frase: “8 é maior que 5.”
- Cartas iguais? Diga “7 é igual a 7” e cada um vira mais uma.
- Versão do valor posicional, a partir dos 7 anos: cada um vira duas cartas e forma o maior número de dois algarismos possível; 7 e 3 formam 73.
Estimar: “mais ou menos quantos?”
Estimar é dar um palpite sensato e depois conferir, e isso dá noção do tamanho dos números. A BNCC pede estimativas desde o 1º ano, com conjuntos de cerca de 20 objetos, e, no 2º ano, estimativas sobre coleções de até 1.000 objetos.
- Pote do palpite: ponha macarrão num pote transparente. “Mais ou menos que 10? Mais ou menos que 20?” Depois, contem em grupos de 10.
- Use o 10 como régua: um quadro de dez cheio ou duas mãos abertas são 10; compare outras quantidades com isso.
- Palpites na reta: “Onde ficaria o 50 numa reta de 0 a 100?” Depois, tentem 25 e 90.
- Arredondar, a partir dos 8 anos: “O 47 está mais perto do 40 ou do 50?”
- 47 está entre 40 e 50
- 47 está a 3 do 50 e a 7 do 40
- Então 47 arredonda para 50
Erros comuns (e como corrigir)
- Julgar pelo comprimento. “Esta fileira é mais comprida, então tem mais.” Correção: forme pares, um a um.
- Comparar as unidades primeiro. “39 é maior que 47 porque 9 é maior que 7.” Correção: monte os dois com material dourado; as dezenas decidem.
- Ignorar a quantidade de algarismos. “100 é menor que 99 porque 1 é menor que 9.” Correção: 100 são 10 barras; 99 são só 9 barras e 9 cubinhos.
- Esquecer o zero. “305 e 35 são quase iguais.” Correção: num quadro de ordens (centenas, dezenas, unidades), 305 tem 3 centenas; 35 não tem nenhuma.
- Tratar = como “o resultado”. Em 5 + 2 = □ + 1, algumas crianças escrevem 7 no quadradinho. Correção: = quer dizer “vale o mesmo que”; 5 + 2 dá 7, e 6 + 1 também, então o quadradinho é 6. Veja nosso guia de problemas com número que falta.
Uma rotina de 5 minutos e quando conversar com a escola
- Qual é maior (1 minuto). Diga dois números: “17 ou 71?” “45 ou 54?”
- Monte um número (1 minuto). A criança monta 36 com barras e cubinhos; você acrescenta 1 barra: “Que número é agora?” (46)
- Sinal do dia (1 minuto). Escreva 28 □ 82; a criança completa com o sinal e lê a frase em voz alta.
- Estime e confira (2 minutos). “Mais ou menos quantas uvas tem na tigela?” Contem de 10 em 10 para conferir.
Converse com a professora se, no fim do 1º ano, a criança ainda não souber dizer qual de dois números até 20 é maior sem contar objetos, ou se dezenas e unidades continuarem sem sentido no 2º ano, mesmo depois de muito trabalho com material concreto. Se perceber muita preocupação, leia nosso guia de ansiedade com a matemática; estimar e arredondar também alimentam o cálculo mental mais tarde.
Perguntas frequentes
Como explicar maior que e menor que para uma criança?
Comece com objetos: qual de dois montes tem mais? Depois, compare números na reta numérica, onde o maior fica mais à direita. Ensine os sinais por último e peça que a criança leia em voz alta, da esquerda para a direita: 9 > 4 é “nove é maior que quatro”.
O que é o truque do jacaré?
É um lembrete: o jacaré guloso abre a boca para o número maior, porque quer comer mais. Ajuda a desenhar o sinal do lado certo, mas a criança ainda precisa ler a sentença em palavras, da esquerda para a direita.
Qual algarismo comparar primeiro em números de dois algarismos?
As dezenas. 47 é maior que 39 porque 4 dezenas são mais que 3 dezenas; só se comparam as unidades quando as dezenas são iguais, como em 62 e 68.
Em que ano a criança aprende a comparar números?
Na BNCC, a pré-escola trabalha maior, menor e igual com objetos. No 1º ano, a criança compara números de até dois algarismos, com e sem a reta numérica; no 2º, até as centenas; no 3º, até a unidade de milhar; e no 4º, até as dezenas de milhar.
O que é valor posicional, em palavras simples?
É a ideia de que um algarismo vale mais ou menos conforme o lugar em que está. Em 52, o 5 vale 50 (5 dezenas) e o 2 vale 2 (2 unidades).
Como ajudar meu filho a estimar?
Pergunte “mais ou menos quantos?” antes de contar e use o 10 como régua: tem mais ou menos que 10? Depois, contem para conferir; a meta é um palpite sensato, não exato.
Fontes
Escrito pela equipe do Matobur na Edict Digital e conferido com estas fontes:
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC): Educação Infantil e Ensino Fundamental (abre em uma nova aba)Ministério da Educação (MEC)
- Assisting Students Struggling with Mathematics: Intervention in the Elementary Grades (guia de práticas, 2021) (abre em uma nova aba)What Works Clearinghouse, Institute of Education Sciences, Departamento de Educação dos EUA
- Promoting broad and stable improvements in low-income children's numerical knowledge through playing number board games (Ramani e Siegler, 2008) (abre em uma nova aba)Child Development 79(2), registro no PubMed
- Improving Mathematics in the Early Years and Key Stage 1 (relatório de orientação, 2020) (abre em uma nova aba)Education Endowment Foundation (Reino Unido), cópia arquivada pela UCL (DERA)