Hábitos e bem-estar
Como escolher um app de matemática para seu filho: checklist
Checklist justo para escolher um app de matemática de 5 a 10 anos: aprendizagem real, níveis que se adaptam, sem anúncios nem pressão para comprar, LGPD, telas.

Resposta rápida
Escolha um app de matemática que faça a criança pensar, não só tocar na tela; que se adapte ao nível dela; que combine com o que ela aprende na escola; e que não tenha anúncios, pressão para comprar nem compartilhamento de dados. Confira a privacidade, se funciona offline e que progresso ele mostra a você. Depois, experimentem juntos por uma semana, com sessões curtas que não tirem o lugar do sono e das brincadeiras.
Pontos principais
- Aprendizagem primeiro: bons apps deixam a criança ativa, engajada, com sentido e em interação, os quatro pilares da ciência da aprendizagem.
- O rótulo “educativo” não prova nada: um estudo com 135 apps populares para crianças pequenas achou publicidade em 95% deles, em taxas parecidas nos educativos.
- Procure apps sem anúncios, com compras e links só atrás de um controle parental e com regras claras de privacidade. No Brasil, a LGPD e o ECA Digital protegem os dados e a experiência das crianças.
- As regras das lojas variam: a categoria Kids da Apple exclui publicidade de terceiros na maioria dos casos, e a política de Famílias do Google Play restringe anúncios sem proibi-los.
- Experimente o app junto com a criança, mantenha as sessões curtas e proteja o sono, as brincadeiras e as refeições em família.
O que torna um app de matemática educativo de verdade?
Os apps chamados de educativos quase não passam por regras ou testes, e em janeiro de 2015 já eram cerca de 80 mil só na loja da Apple. Uma revisão de cientistas da aprendizagem publicada na revista Psychological Science in the Public Interest propõe um teste simples. Um app ajuda a aprender quando deixa a criança ativa (pensando, não só tocando), engajada (focada na matemática, sem distrações), com sentido (ligada à vida real) e em interação social (algo para conversar com você), tudo voltado a um objetivo claro de aprendizagem.
| Pilar | Bom sinal | Mau sinal |
|---|---|---|
| Ativa | A criança escolhe uma estratégia, monta ou arrasta quantidades, explica | Tocar numa cor ou girar uma roleta para ganhar pontos |
| Engajada | As recompensas vêm da matemática e não a interrompem | Janelas, prêmios piscando ou vídeos entre as perguntas |
| Com sentido | Os problemas usam situações reais: repartir, dinheiro, horas | Continhas aleatórias sem fim, sem contexto nem progressão |
| Em interação | Dá assunto para conversar; um adulto pode participar | Feito para a criança jogar sozinha pelo máximo de tempo |
- Pergunta: 8 + 5 = ? Resposta da criança: 12
- App fraco: buzina, “Errado!”, próxima pergunta
- App melhor: mostra 8 + 2 = 10, depois 10 + 3 = 13, e pergunta 9 + 4 em seguida
O checklist: 12 perguntas antes de instalar
- Ensina ou só testa? Depois de um erro, ele deve mostrar um desenho, uma pista ou uma estratégia.
- A dificuldade se adapta? As perguntas devem ficar mais fáceis depois de erros e mais difíceis depois de acertos, para a criança ser desafiada sem se perder.
- Combina com a escola? Os temas devem bater com o ano da criança na BNCC, por exemplo continhas com números de até dois algarismos no 1º ano ou multiplicação por 2, 3, 4 e 5 no 2º (veja habilidades de matemática por idade).
- A rapidez é opcional? Modos com tempo podem ser divertidos para fatos que a criança já sabe, mas não deveriam ser o único jeito de jogar.
- Os erros são tratados com gentileza? Nada de sons agressivos, vidas perdidas por resposta errada ou rankings públicos para crianças pequenas.
- Tem anúncios? A resposta mais segura é nenhum, incluindo os anúncios que liberam prêmios.
- Há pressão para comprar? Compras, links para fora do app e configurações devem ficar atrás de um controle parental: uma verificação que a criança pequena não consegue passar, como digitar um número escrito por extenso.
- Que dados ele coleta? Procure uma política de privacidade clara, nenhum rastreamento de terceiros e nenhum cadastro da criança, a menos que haja um bom motivo.
- Funciona offline? Jogar offline quer dizer nada de links, vídeos ou chat de surpresa, e funciona no carro.
- Dá para ver o progresso? Uma área para os pais deve mostrar o que foi treinado, quanto a criança acertou e onde ela trava.
- Tem um fim natural? Procure rodadas curtas e pontos de parada naturais, não reprodução automática ou pressão para manter sequências.
- Dá para jogar junto? Jogar junto no começo mostra como o app ensina e dá assunto para conversar.

Dica Teste você mesmo em 10 minutos
Antes de entregar o aparelho, jogue 5 minutos como se fosse a criança. Erre algumas respostas de propósito, toque em todos os botões e banners para ver aonde levam, abra as configurações e leia a parte de privacidade na página da loja.
Anúncios e compras dentro do app: o que observar?
Anúncios em apps infantis são comuns e muitas vezes difíceis de perceber. Pesquisadores nos Estados Unidos analisaram 135 apps populares para crianças de até 5 anos: 95% tinham pelo menos um tipo de publicidade, todos os gratuitos tinham, e os apps rotulados como educativos tinham anúncios em taxas parecidas com as dos outros.
As regras das lojas ajudam, mas não são iguais. A Apple diz que os apps da categoria Kids não podem ter links para fora do app, oportunidades de compra ou outras distrações, a não ser numa área reservada atrás de um controle parental, e não devem ter publicidade nem análises de terceiros, salvo exceções limitadas. A política de Famílias do Google Play permite anúncios em apps para crianças, mas com restrições: nada de anúncios baseados em interesses, anúncios que atrapalham o uso precisam poder ser fechados depois de 5 segundos, e táticas emocionalmente manipuladoras para empurrar anúncios ou compras são proibidas.
A lei brasileira também entra aqui. O Código de Defesa do Consumidor considera abusiva a publicidade que se aproveita da deficiência de julgamento e experiência da criança. E o ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), em vigor desde 17 de março de 2026, proíbe usar técnicas de perfilamento para direcionar publicidade a crianças e veta as caixas de recompensa (loot boxes), as compras de prêmios-surpresa, em jogos feitos para crianças ou que elas provavelmente usem.

Dica Ative a aprovação de compras
Seja qual for o app, configure o controle da família no celular ou no tablet para que downloads e compras precisem da sua aprovação, e guarde a senha de pagamento só para você.
Privacidade em português claro: o que dizem a LGPD e o ECA Digital?
No Brasil, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados, Lei nº 13.709/2018) diz que os dados de crianças e adolescentes devem ser tratados no melhor interesse deles. Para crianças, ela pede o consentimento específico e em destaque de pelo menos um dos pais ou do responsável, exige que a empresa deixe público que dados coleta e como os usa, e proíbe condicionar a participação em jogos e aplicativos ao fornecimento de mais dados pessoais do que o estritamente necessário.
O ECA Digital vale para todo produto ou serviço digital direcionado a crianças ou de acesso provável por elas, mesmo de empresas de fora do país. Ele exige, desde a concepção, a configuração mais protetiva de privacidade por padrão e pede que as lojas de aplicativos ofereçam ferramentas de supervisão aos pais; o download de apps por crianças depende do consentimento deles. Se você mora em Portugal, a referência é o RGPD europeu, que as regras da Apple e do Google também citam.
- O app pede conta, e-mail ou nome da criança? Se sim, por quê?
- Ele pede localização, câmera ou microfone sem precisar?
- A política de privacidade fala em compartilhar dados com terceiros para publicidade?
- Dá para apagar os dados da criança com facilidade?
O Google Play também não deixa apps feitos só para crianças pedirem permissão de localização.
Selos e categorias das lojas querem dizer que o app é bom?
São filtros úteis, não garantias. A categoria Kids da Apple vem com regras mais rígidas sobre compras, links e dados, e o Google Play exige que apps para crianças sigam a política de Famílias. O guia do governo federal sobre telas sugere também observar a faixa etária da Classificação Indicativa de cada aplicativo.
Mas nenhum selo diz se um app serve para o nível do seu filho ou combina com os métodos da escola dele, e nenhum substitui os 10 minutos que você leva para testar. O checklist continua valendo.
Quanto tempo de tela é aceitável para apps de matemática?
Não existe um número mágico para 5 a 10 anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda no máximo 1 hora por dia de tela sedentária para crianças de 2 a 4 anos, e diz que menos é melhor. Para 5 a 17 anos, a OMS pede pelo menos uma média de 60 minutos por dia de atividade física moderada a vigorosa e que se limite o tempo parado, principalmente o tempo de tela recreativo.
No Brasil, o guia do governo federal “Crianças, adolescentes e telas” não fixa minutos para essa idade, mas recomenda que a família combine as próprias regras para um uso moderado, evite aparelhos nas refeições, deixe os dispositivos fora do quarto na hora de dormir, estimule brincadeiras sem tela, dê o exemplo e evite dar smartphone próprio antes dos 12 anos.
Para treinar matemática, sessões curtas funcionam bem: mire 10 a 15 minutos focados e pare enquanto a criança ainda quer mais. Equilibre o treino na tela com matemática feita com as mãos e com jogos de matemática sem tela, como este.
Vendinha
- Ponha preço em cinco itens: 3, 5, 8, 10 e 12 reais.
- A criança compra dois itens e soma os preços: 5 + 8 = 13.
- Ela paga com uma nota de 20 e calcula o troco: 20 − 13 = 7.
- Os menores usam preços até 10. Os maiores compram três itens ou usam preços como R$ 2,50.
Experimentando um app: uma primeira semana simples
- Dia 1: joguem juntos por 10 minutos. Observe como ele explica os erros e aonde levam os botões.
- Dias 2 a 4: a criança joga sozinha com você por perto. Peça que ela ensine a você uma coisa que aprendeu.
- Dia 5: veja a área dos pais ou o relatório de progresso. A criança está no nível certo?
- Dia 7: decida. Fique com o app se a criança estiver pensando, melhorando e aceitando parar quando o tempo acaba.
Se as rodadas com tempo causarem choro, desligue-as e leia nosso guia de ansiedade com a matemática. Para o quadro geral da matemática em casa, veja como ensinar matemática em casa.
Perguntas frequentes
Apps de matemática fazem bem para as crianças?
Podem fazer, se o app fizer a criança pensar, se adaptar ao nível dela e for usado em sessões curtas junto com atividades feitas com as mãos. A pesquisa em ciência da aprendizagem destaca a aprendizagem ativa, engajada, com sentido e social, e tocar na tela atrás de prêmios chamativos não é a mesma coisa.
Quanto tempo de tela uma criança de 5 anos pode ter?
O limite de 1 hora por dia da OMS vale para crianças de 2 a 4 anos; a partir dos 5, ela recomenda limitar o tempo de tela recreativo, sem um número fixo. O guia do governo federal também não fixa minutos e sugere regras da família, telas fora das refeições e da hora de dormir e muitas brincadeiras sem tela.
O que é controle parental num app?
É uma pequena verificação de adulto, como digitar um número escrito por extenso, que precisa ser passada antes de compras, links para fora do app ou configurações. A Apple exige essa barreira antes de compras e links externos nos apps da categoria Kids.
Apps de matemática gratuitos são seguros?
Nem sempre. Num estudo com 135 apps populares para crianças de até 5 anos, todos os gratuitos tinham publicidade. Confira qualquer app, gratuito ou pago, quanto a anúncios, pedidos de compra e compartilhamento de dados antes de a criança usar.
O que a LGPD diz sobre os apps do meu filho?
A LGPD exige que os dados de crianças sejam tratados no melhor interesse delas, com consentimento específico de um dos pais ou do responsável, e proíbe exigir mais dados do que o necessário para a criança participar de jogos e aplicativos. O ECA Digital, em vigor desde março de 2026, soma regras como privacidade máxima por padrão e proibição de publicidade baseada em perfil.
Meu filho deve usar o app sozinho?
Comecem juntos, para você ver como o app ensina, e depois deixe a criança jogar sozinha com você por perto. Conversar sobre o que ela fez mantém o aprendizado social e ajuda a perceber problemas cedo.
Fontes
Escrito pela equipe do Matobur na Edict Digital e conferido com estas fontes:
- Putting education in “educational” apps: lessons from the science of learning (Hirsh-Pasek et al., 2015) (abre em uma nova aba)Psychological Science in the Public Interest 16(1), registro no PubMed
- Advertising in young children's apps: a content analysis (Meyer et al., 2019) (abre em uma nova aba)Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics 40(1), registro no PubMed
- App Review Guidelines (1.3 Kids Category; 5.1.4 Kids) (abre em uma nova aba)Apple Developer
- Google Play Families Policies (abre em uma nova aba)Ajuda do Google Play Console
- Lei nº 13.709/2018, Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), art. 14 (abre em uma nova aba)Presidência da República (Planalto)
- Lei nº 15.211/2025, Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) (abre em uma nova aba)Presidência da República (Planalto)
- Lei nº 8.078/1990, Código de Defesa do Consumidor, art. 37 (abre em uma nova aba)Presidência da República (Planalto)
- Crianças, adolescentes e telas: recomendações para famílias, tutores e responsáveis (abre em uma nova aba)Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom)
- To grow up healthy, children need to sit less and play more (diretrizes para menores de 5 anos, 24 abr. 2019) (abre em uma nova aba)Organização Mundial da Saúde (OMS)
- WHO guidelines on physical activity and sedentary behaviour: at a glance (2020) (abre em uma nova aba)Organização Mundial da Saúde (OMS)